As Revoluções do Poder

Conservadores e Progressistas

Revista Discutindo Filosofia – Ano 1, n° 5 – Outubro 2006 – página 62

Marcada por um agudo senso histórico, a obra As Revoluções do Poder reconstrói os acirrados debates presentes no pensamento político da Revolução Inglesa de 1640, inspirando-se em dois pressupostos. Primeiro, que o pensamento político não nasce do puro céu das idéias, como se fosse invenção exclusiva de filósofos. Segundo, que a teoria política, sendo uma atividade prática, deve ser vista como um discurso, e não apenas uma tentativa de representar o real.

O pensamento político nutre-se da linguagem que os homens empregam no dia-a-dia para travar seus combates. E porque a política é combate, a teoria política é ao mesmo tempo um esquema de conceitos e um discurso. Eunice reconstitui e esclarece com muita habilidade o vocabulário político polarizado do tempo, marcado pelo discurso “da ordem e da subordinação”, o discurso da “resistência” e o discurso “constitucionalista”.

E mostra, então, como no desenrolar desa dialética a revolução inglesa termina por nos legar duas teorias políticas secularistas do poder legítimo: uma conservadora, capitaneada por Thomas Hobbes, e outra democrática, introduzida pelos levellers.


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