Pensar e escrever sob o regime de Fidel
Escrever e pensar sob o regime de Fidel
Os Intelectuais Cubanos estuda conflito entre Estado e autores após a revolução CRISE: “O elogio a Três Tristes Tigres, livro de Cabrera Infante, causou a queda da direção do El Caimán Barbudo” Luiz Zanin Oricchio
A revolução de 1959 convulsionou também os meios intelectuaisemCubaenomundotodo. Despertou enorme esperança de que naquela pequena ilha caribenha estaria o laboratório do homem novo, de um socialismo inventivo e libertário. Cedo, porém, se notou que o idílio entre
governo e intelectuais e artistas locais não seria muito duradouro.
Passada a lua de mel, o comando da revolução, através dos seus órgãos culturais, passou a intervir no processo de publicação e no debate de ideias.
Em Os Intelectuais Cubanos e a Política Cultural da Revolução (Alameda, 302 páginas, R$ 42), a historiadora Sílvia Cezar Miskulin discute esse relacionamento complicado através de dois estudos de caso – o da editora El Puente e do suplemento cultural El Caimán Barbudo.
A editora reunia muitos intelectuais negros, homossexuais, mulheres e jovens de baixa renda. Foi fechado em 1965 e, segundo a autora, deixou grande vazio na vida cultural cubana. Já El Caimán Barbudo, criado em 1966, circula até hoje, tendo atravessado diversas fases e polêmicas.
Nessa história conturbada, aparecem os nomes de intelectuais como Reynaldo Arenas, Silvia Barros, Cabrera Infante, Jésuz Díaz, Heberto Padilla eVirgilio Pyñera, que sofreram na pele a incompatibilidade entre suas ideias e o regime,e foram forçados ao exílio. A seguir, trechos da entrevista concedida por Sílvia Miskulin ao Estado.
Como s ederam os primeiros sinais de que a liberdade de expressão não seria ilimitada sob o novo regime?
No ano de 1961, diversos acontecimentos marcaram a conformaçãodeumapolítica cultural oficial.
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Brasileiros e Cidadãos na Folha de S. Paulo »



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