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Romance da economia em uma sociedade de classes escravagista

Jornal A TARDE (BA)

Alexandre de Freitas Barbosa, em Formação do mercado de trabalho no Brasil, nos proporciona uma interessante e intensa viagem à nossa formação histórica, econômica, política e cultural desde os tempos coloniais até a atualidade. Neste livro que a Alameda Casa Editorial publica, com suas 360 páginas se inscreve na tradição de Gilberto Freyre,Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado Júnior, Celso Furtado e, em muito, de Florestan Fernandes.
Uma análise múltipla de um mesmo fenômeno marcadamente econômico, mas que
transborda na vida cotidiana marcando o modo social de ser, com ampla erudição em sua recorrência à bibliografia pertinente ao tema.
Apoiado em conceitos bem explicitados, como “não-mercado de trabalho”, “repersonalização”, “homem-mercadoria”, “homem em propriedade”, capitalismo e renda do trabalho e da terra com escravos, toda uma época é recriada sob a ótica da estrutura que o trabalho escravo e o estoque de terra configuravam. Sente-se, no autor, a compreensão da vida social nas relações entre as classes sociais – e aqui se pode utilizar este conceito na medida em que um sistema de estratificação se consolidou a partir da propriedade de escravos, condição necessária para a mobilidade social e afirmação de status, mesmo de negros alforriados, já que toda a estrutura social dependia da escravidão – sem o medo que hoje contagia analistas, sobretudo economistas de todos os matizes.


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