Código: 874

A redescoberta de Debret no Brasil modernista

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Referência: 9788579393143


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Foucault disse, em História da Sexualidade II – O Uso dos Prazeres, que problematizar é a “tarefa de uma história do pensamento por oposição à história dos comportamentos ou das representações: definir as condições nas quais o ser humano “problematiza” o que ele é, e o mundo no qual ele vive”.

 

É isso que se pode esperar da leitura do profundo trabalho de investigação executado neste livro por Anderson Trevisan. Fundamentado no que há de mais instigante nas análises fincadas na Sociologia da Arte (os textos de Pierre Francastel, que inventa a disciplina na França dos anos 1950), temos sempre em primeiro plano de análise uma investigação direta das obras de arte, aqui as páginas da revista, eleitas como elemento primordial de constituição de significados. Com isso se escapa de alguns modismos, atuais e antigos, de ver as manifestações artísticas como “reflexo” das condições sociais nas quais nasceram ou, mais atualmente, como mera derivação de “estruturas objetivas” e/ou posicionamento de autores e mecenas em lutas por poder, simbólico ou não.

 

Este trabalho de Anderson começa, na verdade, anos atrás, quando elaborou sua dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da fflch-usp, sob o tema de “Aquarelas do Brasil: estudos sobre a arte “documental” de Debret.” Aqui, a pesquisa deslindou as dificuldades de um pintor francês, aluno de David, que aporta em terras brasileiras como membro da Missão Artística Francesa de 1816, com o intuito de tentar pintar esta estranha combinação entre realeza e trópicos, com baixíssimo índice de urbanização e apropriação bastante diferencial do que poderia ser concebido como civilização.

 

Agora, neste novo trabalho, todo este arcabouço de conhecimento se volta para um novo fenômeno social: a “redescoberta” de Debret no Brasil modernista. Redescoberta, à beira da reinvenção, que força o olhar investigativo a também se reinventar, problematizando o que vê, mas também o que se sabe sobre o que se vê, para dar conta desta imersão bastante peculiar que as telas e aquarelas de Debret vão encontrar nas páginas de uma revista impressa, de circulação imprecisa, que utiliza Debret não mais como alguém que colaborou na constituição da dimensão simbólica da realeza portuguesa em terras brasileiras, mas agora na direção da constituição de uma nação que quer se pensar e imaginar moderna e republicana.

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