Entre a casa e o armazém

Entre a casa e o armazém
Maria Luiza Ferreira de Oliveira

416 págs.
R$ 58,00
ISBN: 85-98325-13-9

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A classe média na São Paulo de antigamente

Este livro é um convite para o leitor voltar a um tempo no qual São Paulo combinava características de uma cidade moderna com traços fortemente rurais. Bastava uma rápida caminhada até a Igreja da Misericórdia para avistar, do alto de seu campanário, descampados, grotões, charnecas, beiras de rios e até animais silvestres e matas, que se estendiam muito além dos vales do Anhangabaú e Tamanduateí. Os personagens deste cenário? Aquela parte da população abstratamente designada como “classes médias” – na verdade, uma gente esquecida, os remediados da sociedade, uma multidão de figurantes mudos da cena paulistana – os quais atendiam pelos nomes de Dona Carolina, Seu Marcelino, Ana de Sorocaba e centenas de outros que aparecem nos registros dos quase mil inventários e testamentos que chegaram até nós.

A maioria tinha pouco mais de quarenta anos no longínquo ano de 1872, quando surgiram na cidade os primeiros lampiões a gás. Pessoas que vivenciaram um tempo de incertezas e mudanças, abriram lojas e armazéns, compraram uma casinha, faliram, venderam tudo, tiveram dias bons ou ruins – enfim, sentiram na pele aquele diagnóstico certeiro de António de Alcântara Machado, quando dizia que “em São Paulo não há nada acabado e nem definitivo, as casas vivem menos que os homens e se afastam, rápidas, para alargar as ruas.” Entre a Casa e o Armazém – um livro que é, portanto, um convite para voltar no tempo, mas sem tirar os olhos do presente de uma cidade que, como na metáfora da transação fáustica, nos dá e nos toma, nem sempre em proporções iguais.

Sobre a autora: Maria Luiza Ferreira de Oliveira defendeu seu doutorado, que originou neste livro, em 2003, orientado por Maria Odila Leite da Silva Dias. Professora da Escola da Cidade, a autora atualmente faz pós-doutorado com o projeto “O ronco da abelha: resistência popular e conflito na consolidação do Estado Nacional, 1851-1852”, no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB/USP). Estado e da Nação Brasileiros, c.1780-1850, coordenado pelo prof. dr. István Jancso

Índice

Prefácio

Introdução

I. Modos de Viver
Vivendo de rendas, de aluguéis, de ofício, de emprego público
Modos de viver e de olhar. Os limites da cidade: a Várzea do Carmo
Uma visão geral: os diferentes grupos de riqueza

II. A presença da escravidão
A posse de escravos
Quem são os escravos?
No testamento: as alforrias
A inserção na cidade: ex-escravos e escravos

III. As relações de crédito
A difusão dos empréstimos
A multiplicidade das práticas de crédito
A cultura do crédito

IV. Com loja para a rua
Viver de negócios
Os armazéns e as redes de apoio

V. A cidade que se revela
Ser proprietário de bens de raiz
Investidores dos setores médios – percursos
Formas de morar

Epílogo
A revelação (química) de dois momentos da rua Alegre

Fontes e Bibliografia
Fontes
Bibliografia

Agradecimentos