Código: 414

FAVOR E MELANCOLIA Estudo sobre A Menina Morta de Cornélio Pena

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Referência: 978-85-7751-05


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ESTUDO EXEMPLAR

Autor de poucas obras e retraído da chamada “vida literária” Cornélio Penna é dos autores dos anos 1930/50 menos conhecido. Também pintor (e nisso sua obscuridade talvez seja maior...) escreveu romances na tradição da narrativa intimista e psicológica, tendo deixado pelo menos uma obra-prima: A menina morta, publicada em 1954.

Os estudos sobre seus romances, mesmo com alguns de boa qualidade, não foram suficientes para que ele alcançasse maior notoriedade. Parte desses estudos, especialmente a mais recente, são teses universitárias, defendidas e aprovadas, mas não publicadas. Este livro que o leitor tem em mãos também foi originalmente uma delas, vindo a constituir-se como uma contribuição que qualquer obra literária de alta qualidade espera da crítica: o estudo com rigor teórico e conceitual que analisa e interpreta A menina morta em suas diversas implicações artístico-literárias articuladas com o processo social brasileiro.

Este Favor e melancolia, de Simone Rossinetti Rufinoni, com seus três capítulos, primeiramente percorre as contribuições anteriores da crítica sobre esse romance, identificando as principais “linhas de força” das interpretações. Destacam-se aí as visões e critérios religiosos, sobretudo católicos, que, com poucas exceções, quase submergem a obra apenas na conhecida “reação” espiritualista comum a vários autores da época. E, por esse viés, a literatura propriamente sai perdendo.

Contudo, o caminho crítico da autora, neste livro, é muito mais complexo e agudo. Ocorre que A menina morta não sendo romance histórico, estrutura sua matéria social narrativa nos últimos anos do Segundo Império, sob o regime da escravidão em franca decadência. Publicado mais de 60 anos após a abolição, a obra acaba por arquitetar um problema estético-literário e social do maior interesse: seria moderno esse romance, ao mesmo tempo intimista/psicológico e realista, que retoma um “conteúdo sedimentado” da história brasileira?

Ou se trataria, com fundamento no mito, na melancolia, nas relações de favor, na dura opressão da mulher e dos trabalhadores, no autoritarismo patronal despótico, de uma “recaída antimoderna de cunho conservador”, e ainda extemporânea, para firmar essa voz reacionária no romance brasileiro?

Com a melhor tradição dialética e materialista a autora enfrenta essas questões, que são, ao fim e ao cabo, as mais relevantes para discutir a nossa literatura, resultando também numa excelente discussão dos impasses e contradições do processo de modernização do país, que pode ser colhido, e com sucesso, através do estudo literário que reconhece os trânsitos fundamentais entre forma artística e processo social.

Valentim Facioli

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