Ironia e humor na literatura

Ironia e humor na literatura
Lélia Parreira Duarte

R$ 45
360 páginas
ISBN: 85-98325-39-2 (alameda)/ 85-86480-64-9 (PUC-Minas)
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A importância da literatura
Neste livro, clássicos da literatura sob um novo olhar

De que fala mesmo a literatura? Textos e mais textos continuam sendo escritos, publicados e lidos sob os codinomes de romances, poemas, novelas, biografias não autorizadas. Ora os especialistas os vêem como sintomas, ora como encenações, ora como reflexos de um real social, ora como metalinguagens, ora como jogos, ora como documentos. Nessa diversidade de textos e de tratamentos de textos ainda considerados literários se inserem os trabalhos de Lélia Parreira Duarte apresentados neste livro. De que tratam? Evidentemente, do nada. Afinal, é disso mesmo que vem tratando certa literatura.

Mas, de que nada se trata? O nada, tornado substantivo, toma existência inquestionável. Mas isso não significa que passe ao território do dizível, do previsto, do afirmativo. Sua carga de negação de uma existência codificada permanece, e assim penetra num outro território, repleto de ambigüidades, cujos sentidos resvalam pelas leituras, multiplicando-se, invertendo-se, subvertendo a comunicação e qualquer “sinceridade” que corresponda a uma relação direta na cadeia dos significados preestabelecidos. Esse território é o de certa literatura, essa que a argúcia de Lélia Duarte insiste em percorrer.

Neste livro, Lélia Parreira Duarte discorre com leveza, mas sem perder a seriedade, sobre textos e autores clássicos da literatura. Debate uma das questões mais importantes para a história da literatura, que é presença da ironia e do humor nos textos considerados canônicos. Questões que vêem acompanhando a pesquisadora por uma vida inteira de trabalhos e estudos sobre o tema e que aparece em livro pela primeira vez.

Sobre a autora: Lélia Parreira Duarte é professora aposentada da UFMG e hoje dá aulas na PUC-Minas.

Índice

Prefácio

Arte & manhas da ironia e do humor

A criatividade que liberta: riso, humor e morte

Os Lusíadas de Camões, e a Peregrinação, de Fernão Mendes Pìnto:
diferentes prespectivas das viagens portuguesas

Antônio Vieira
Ambigüidade nos Sermões de Vieira: dar a César ou a Deus?
Palavra plena x palavra vazia: o jogo de Vieira e o de Fernando Pessoa

Almeida Garrett
Viagens na minha terra – um exemplo de modernidade

Camilo Castelo Branco e Machado de Assis
A reversibilidade irônica de Camilo em A queda dum anjo
A ironia romântica e a valorização da tessitura textual em Camilo e Machado
“Missa do galo”: ironia romântica, humor e leveza

Eça de Queirós
A lúdica complexidade em A ilustre casa de Ramires
A valorização do leitor na obra de Eça de Queirós (ou responendo
a Machado de Assis e a Fernando Pessoa)
Alves & Cia., de Eça de Queirós, e Amor e Cia., de Helvécio Ratton

Mário de Sá-Carneiro
A confissão de Lúcio e a ironia romântica

Fernando Pessoa
Encenação e fingimento na poesia de Fernando Pessoa
Fernando, rei da nossa Baviera: um jogo no limite do silêncio
Fernando Pessoa, um fio de de ironia

Dostoiévski
“Polzunkóv”, o funâmbulo, ou o engano reduplicado

Guimarães Rosa
A ironia na obra de Guimarães Rosa, ou a capacidade encantatória de um divino embusteiro
Não já e ainda não: a leveza do humor em Guimarães Rosa
Brejeirinha e outros doidinhos/artistas de Guimarães Rosa
Assunto de silêncios ou poesia em “Cara-de-bronze”

Esboço de uma bibliografia sobre ironia e humor