Código: 1108

POESIA CONTEMPORÂNEA & TRADIÇÃO - Brasil e Portugal

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Modelo: 9788577511150 Referência: 9788577511150


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POESIA CONTEMPORÂNEA & TRADIÇÃO - Brasil e Portugal
Solange Fiuza e Ida Alves (orgs.), 280 p., 2017
16x23 cm
ISBN 978-85-7751-115-0

Este livro traz ensaios de renomados pesquisadores que articulam a poesia contemporânea brasileira e portuguesa com a tradição, interrogando, a partir do fazer poético, tanto o contemporâneo quanto a noção de tradição. É ainda preciso ressaltar a importância de reunir estudos de poesia brasileira e portuguesa que caminham para além dos restritos mecanismos de fonte e influência, pois apostam em outras trilhas na relação Brasil e Portugal.

Parafraseando Octavio Paz, se o tradicional é, por excelência, o antigo, como pode o contemporâneo vincular-se ao tradicional? Diferente entretanto da dupla negação de sua proposta de "tradição da ruptura", o contemporâneo rearticula e libera outras maneiras de relação com a tradição, mantendo inclusive a ruptura como modo de possibilitar a criação de origens escolhidas.

Alguns críticos ainda melancólicos com o que chamam de "o fim das vanguardas" insistem em desqualificar o contemporâneo por sua relação frouxa e/ ou acrítica com a tradição, o que impossibilitaria novos sentidos para novos projetos de futuro. Daí a importância desta coletânea de ensaios que nos mostram as diversas maneiras de articulação de poetas com a tradição. Demostram, assim, que o contemporâneo tem ainda energia suficiente para, do desespero provocado pela ideia de um fim do mundo, retrabalhar tanto seus restos quanto seu excesso poluído de imagens, arquivos, discursos.
Contrária ao modelo clássico, mas também desconfiada da negatividade da modernidade, a poesia contemporânea expõe sua contrariedade crítica como lugar de resistência, mas interrogando-se a si mesma. Pois sabe que precisa construir novas relações que visem abrir de novo e ainda o mundo. Sua tarefa não é mais grandiosa, é antes um trabalho de espreita, entre a afirmação e a dúvida na possibilidade de fabricação de sentidos num presente que esteja aberto ao devir.

O poeta contemporâneo parece estar como o anjo da história olhando as ruínas do passado, entretanto forçado também a olhar para frente, pois como diz Paul Valéry, é preciso tentar não entrar no futuro apenas de marcha ré. Se o mundo finito começa inexoravelmente com a globalização e as novas tecnologias, ao fazer poético ainda resta a tentativa de deslocar o horizonte que não cessa de retrair, abrir fronteiras entre mundos já conhecidos, reciclar imagens, abrir arquivos, remontar atlas, reorganizar roteiros, inclusive entre Brasil e Portugal, enfim, forçar a produção de sentidos nesse nosso mundo, nosso contemporâneo. E isto não é uma tarefa simples, mas talvez seja o que simplesmente podemos fazer, em comunidade, como poetas e leitores de poesia.

Masé Lemos

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