Código: 344

OS LEITORES DE MACHADO DE ASSIS

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COMO LERAM MACHADO DE ASSIS?

Passado mais de um século da morte de Machado de Assis (1908), podemos dizer que toda a população alfabetizada do país (ao menos os que são capazes de ler livros) é leitora potencial do grande escritor. Seria bastante gente, mas, ainda assim, talvez na realidade, muito menos do que ele merece.O imenso crescimento do aparelho escolar, das bibliotecas, do parque editorial, das edições de seus livros, do reconhecimento da importância e permanência de sua obra, tudo isso, e algo mais, indicam uma glória construída (com merecimento), mas ainda não garantem leitura e, menos ainda, boa e conseqüente leitura. Está aí um paradoxo, talvez não superável, que tem a ver com a sociedade moderna e seu mercado e nele a função e prestígio da literatura. Tem a ver também com certos imponderáveis como o gosto do leitor, por literatura, por literatura do passado e pela forma literária machadiana.

Na passagem do século 19 para o 20, apenas 18% da população brasileira seriam alfabetizados. E capazes de ler livros seriam 2% desses 18%. Então: para quem Machado de Assis escrevia, e quem seriam de fato seus leitores?
A pesquisa levada a cabo por Hélio de Seixas Guimarães e cujos resultados estão neste volume enfrenta essas questões. Trata-se do mais completo trabalho já realizado no Brasil, por conta de buscar as respostas àquelas perguntas, sem embargo de outras pesquisas, de
menor porte, de diferentes autores, terem também procurado as mesmas
respostas.A relevância da pesquisa e seus resultados é evidente em si mesma, quando observamos também a quase obsessão (irônica, humorística e verdadeira ao mesmo tempo) dos narradores machadianos por dialogar permanentemente com imaginários leitores e leitoras. Essa obsessão pode parecer cacoete aalguém menos atento. Mas não é. Porque esse diálogo proposto e buscado pelos narradores machadianos tem função formativa, no sentido forte de que é constitutivo da forma da escrita e também trava um combate com a inteligência do leitor
empírico.

Esse combate implica que o texto machadiano exige a formação de um novo leitor, capaz de permanente vigilância e inteligência, capaz de decifrar a expressão astuta da ironia e das entrelinhas, e, portanto, capaz de colaborar no modo de produção de sentido. Este trabalho de Hélio de Seixas Guimarães é uma contribuição decisiva para que o leitor atual de Machado de Assis possa saber o que os contemporâneos do escritor faziam com seus escritos. Para o mal e para o bem. Os grandes e originais trabalhos de pesquisa de fontes alteram o patamar de conhecimento e compreensão da melhor literatura. É o caso do volume que o leitor tem em mãos.

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