Código: 1026

Quando um muro separa, uma ponte une

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Referência: 978-85-7939-324-2


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Quando um muro separa, uma ponte une

Conexões transnacionais na canção engajada na América Latina (anos 1960/70)

 

A unidade latino-americana é uma fantasia sem consistência ou um projeto político e cultural confrontado com a dura realidade fragmentada do continente? Nos dias de hoje, começo do século XXI, esta pergunta ainda divide opiniões. Nos anos 1960 e 1970, período analisado por este livro, também dividia, em meio a um clima político ainda mais radicalizado. Naquele contexto, projetos de desenvolvimento autônomo conviviam com ditaduras militares reacionárias e perspectivas revolucionárias inovadoras. Em todos estes projetos, a América Latina ora surgia como uma região vocacionada para a unidade, ora como um retalho de nações sem comunicação entre si.

 

Uma coisa era inegável: os problemas eram comuns, passando pelo “subdesenvolvimento”, desigualdades sociais, superexploração pelas potências capitalistas e fragilidades institucionais de diversos tipos. Podemos dizer que os sonhos e projetos de unidade, ao menos no campo das esquerdas, se alimentavam destes problemas comuns, que deveriam ser enfrentados em conjunto pelos “progressistas”. Era assim que a história deveria ser, mas, como todos sabem, não foi. Se a unidade política das esquerdas sempre foi um desafio, apesar do suposto modelo latinoamericanista dado pela Revolução Cubana de 1959, os projetos de unidade cultural foram efetivos e vigorosos, principalmente no cinema e na música popular.

 

Nestas duas áreas artísticas, havia uma “nuestra América” delimitada, uma cartografia afetiva, estética e cultural que funcionava como uma espécie de bildung de todo jovem latinoamericano que queria ser engajado e libertário. O livro de Caio Gomes analisa as conexões estabelecidas pelos músicos latinoamericanos - estéticas, comerciais e políticas - na busca da efetivação da “unidade” continental que deveria preparar as consciências para a grande Revolução. Se os projetos revolucionários foram derrotados um a um, pela repressão e pelas suas contradições internas, restando apenas os ecos pálidos da Revolução Cubana, ficaram as canções.

 

O presente livro nos mostra como esta “música da unidade” também foi atravessada por faturas e impasses diversos, apesar dos seus muitos momentos grandiosos. Desde a dificuldade em construir um idioma musical e poético comum para vários povos e etnias diferentes que formam o mosaico cultural do continente, até a dificuldade em expressar um caminho político convergente por meio da cultura. A partir de uma ampla documentação, inclusive de natureza fonográfica, o livro de Caio Gomes é um exemplo de uma historiografia que valoriza o objeto, sem ser nostálgica ou cínica. 

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Características