Código: 510

UMA DOR MUITO GRANDE COM UMAS ASAS ENORMES

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Referência: 85-86372-61-7


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O estranho título deste livro provoca o leitor, desperta sua curiosidade, indica qualquer coisa a ser decifrada. Mas não se trata de uma charada, ou uma simples adivinha, daquelas com que podemos brincar e caçoar. Embora o título tenha também certo ar de metáfora lúdica, quase como se faria para encantar crianças, ao atribuir certa qualidade concreta a um substantivo ambiguamente abstrato.
A narrativa deste livro, dividida em duas partes e com seus capítulos numerados em seqüência única, constitui um percurso de aprendizagem e formação de um narrador que percorre uma variedade enorme de discursos e experiências. O narrador ao final está e não está formado por aquilo que narra. Sua fala não tem um lugar próprio, porque ela se desloca como em busca de todos os lugares, sem poder estar bem acomodado neste mundo e em sua dor.
O narrador movimenta-se por muitas falas, assumindo essa variedade como sua, mas sabendo que seu movimento deve dizer dos acertos e desacertos das coisas humanas. Aí ele retoma mitos e fábulas, narra as memórias individuais e coletivas, lê e deslê os textos de autoridade, tanto os religiosos como os sociológicos, conta de um ângulo novo ou diferente histórias que todos conhecemos. Sua variedade e ousadia têm algo da imaginação infantil, e também a invenção, às vezes bizarra, do homem dito ´primitivo´, e ainda o olhar dos marginalizados ou excluídos, dando a tudo um tom de pregação e profecia como se reencarnasse as possibilidades e esperanças de salvação.
E qual seria a dor muito grande dramatizada na narrativa de Paulo César Lopes? Ou seja, uma dor muito grande com umas asas enormes? Pois o título remete para esse vôo largo da narrativa e pode-se dizer que a dor aí tematizada é a da busca da alteridade. O conhecimento do outro é a possibilidade de construir relações verdadeiramente humanas, o que também não se faz sem que o eu passe a si próprio em revista e desdobre-se na busca de compreender o diferente. Digamos ainda que a dor maior é o empreendimento do diálogo, limpo e honesto consigo próprio e com aqueles que nos rodeiam, mas também a compreensão dos danos que nos fazem, que nos fazemos, e fazemos aos outros.
Essa narrativa é exemplar como narrativa e exemplo -- penso que um gosto mineiro de contar histórias --, vazada em prosa e poesia, capaz de oferecer o prazer da leitura e a interrogação perplexa sobre o sentido da vida breve. (VALENTIM FACIOLI)
´Esta obra de Paulo César Lopes é qual um labirinto. Há muitas entradas: portas de Borges, janelas de Guimarães Rosa, veredas evangélicas, estreitas passagens de antigas e sempre atuais espiritualidades. As saídas dependem do leitor. É como montar um quebra-cabeças, guiado pelo jogo-da-velha. E do-velho. Desfiam-se estórias… até que, na forma de prosas que ressoam como poemas e de poesias que ecoam como orações, o autor resgata a história.´ (DO PREFÁCIO DE FREI BETTO)

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Características