Versão brasileira

Versão brasileira
Irene Hirsch

192 págs.
R$ 36
ISBN: 85-98325-29-5

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Uma história dos clássicos americanos traduzidos no Brasil

Versão brasileira propõe uma abordagem historiográfica da tradução literária no Brasil, enfatizando “a importância da tradução na transferência de idéias de uma cultura para outra”. A história dos livros é uma disciplina nova das “ciências humanas”, costuma dizer o historiador Robert Darnton, e como tal nos permite adquirir uma visão mais ampla da literatura e da cultura em geral. Irene Hirsch consegue, através de sua análise dos best-sellers americanos traduzidos no Brasil no século XX, nos trazer um retrato bastante preciso de como começava a se estruturar a sociedade de consumo de bens culturais da época.

Irene Hirsch vai além dessa visão geral e trabalha com um métier que sempre foi considerado menor, a tradução. Ocupando uma posição marginal no sistema literário brasileiro, as traduções, por muito tempo, cumpriram a função de “atividade secundária”, ou de “ganha-pão” dos escritores. Assim, versões em português acabaram taxadas como textos de pouca qualidade literária, resquício de uma concepção romântica que priorizava a criatividade e a originalidade.

Apesar disso, essa visão não anulou a importância social e cultural das traduções de ficção. Ao contrário, as traduções da prosa Americana do século XIX, publicadas nas múltiplas edições brasileiras recuperadas por este livro, são uma mostra concreta do crescimento da produção e da circulação de livros no Brasil. Ao longo do século XX, os “clássicos” deixaram de ser um privilégio de poucos e tornaram-se acessíveis a um número maior de leitores. Com a eliminação da barreira lingüística dos textos e, ao mesmo tempo, com o barateamento dos custos de produção dos livros, democratizou-se a cultura literária. Ao trazer a lume essas obras traduzidas, Irene Hirsch discute os diferentes aspectos de sua composição. E, ao tomá-las como fenômenos históricos, procura compreendê-las não apenas considerando suas características lingüísticas, mas também seus aspectos políticos, ideológicos, econômicos e culturais.

Sobre a autora: Irene Hirsch é professora do curso de Letras do Instituto de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Participa do Centro de Estudos da Tradução dessa mesma universidade. Traduziu, entre outros, Bartleby, o escrivão, de H. Melville (Cosacnaify) e Pessoas Extraordinárias, de E. Hobsbawm (Paz e Terra).

Índice

INTRODUÇÃO

CAPÍTULO I
DO ARCABOUÇO TEÓRICO

Teóricos contemporâneos da tradução
Teoria de polissistemas
Desdobramentos da disciplina
A opção por DTS

CAPÍTULO II
DA CHEGADA DA FICÇÃO EM PROSA NORTE-AMERICANA NO BRASIL

A invasão cultural norte-americana
Aspectos quantitativos do mercado editorial no Brasil (1960-1990)
Domínio público e a lei do copyright
Os escritores norte-americanos do século XIX traduzidos no Brasil
Conclusão

CAPÍTULO III
DA ADAPTAÇÃO DESSAS OBRAS EM COLETÂNEAS BRASILEIRAS

A criança leitora
As coleções com textos traduzidos na trajetória do livro infantil no Brasil
As histórias em quadrinhos: MARAVILHOSA, HISTÓRIAS E CLASSICS ILLUSTRATED
Os autores infanto-juvenis publicados no Brasil
Literatura cor-de-rosa em tradução
Conclusão

CAPÍTULO IV
DA REUNIÃO EM ANTOLOGIAS DE NARRATIVAS CURTAS TRADUZIDAS

Antologias no mercado livreiro nacional
Contos norte-americanos em coleções brasileiras
Conclusão

CONSIDERAÇÕES FINAIS

CORPUS

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AGRADECIMENTOS