Código: 438

VIAGEM AO SOL

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Referência: 978-85-7751-02


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O romance policial permanece como uma referência forte na atual narrativa romanesca, capítulo importante da Literatura Brasileira dos séculos XX e XXI. Acompanhando, como herdeira estética e discursiva, a saga iniciada por Conan Doyle, Agatha Christie, Ian Fleming, Rubem Fonseca e Luiz Alfredo Garcia-Roza, para citar apenas alguns, parece haver uma linha de tradição narrativa do romance policial na literatura ocidental. Como capítulo “nacional” desta linhagem, a presente obra de Embla Rhodes marca sua presença definitiva num cânone que pode ser constituído, tendo como perspectiva a narrativa policial, como aqui apresentada. Este é o cânone que cada leitor pode, por si mesmo, constituir, sem risco de incorrer em equivocados julgamentos de valor de uma pseudo-crítica, dita pós-modernista. Isto por que o prazer de ler Viagem ao sol, supera, em muito, esta estreita limitação que não deve ser levada a sério.

O romance, engenhosamente, mistura referências científicas, esotéricas, acadêmicas, humorísticas e do cotidiano do Rio de Janeiro. O amálgama que se consegue com esta mistura é saboroso e prima por uma linguagem leve, fluida, em que os diálogos se apresentam como interpenetrações discursivo-argumentativas, do próprio texto narrativo do romance. A estrutura do livro já, graficamente, deixa claro o “descompromisso” de seu autor em relação a certa subscrição estética que impõe moldes e princípios quase rígidos. Sua aposta estética é acompanhada pelo texto do romance que espelha o seu exercício individual de criação. Esta engenhosidade, se por um lado não é absolutamente original — há sempre que se colocar em dúvida esta “classificação” —, não deixa de estabelecer um lugar peculiar para este escritor que sabe contar uma história, como o fez Erico Veríssimo, por exemplo. Esta é uma qualidade que não pode ser deixada de lado, quando se pousam os olhos sobre as páginas do livro de Embla Rhodes.

As intrigas e o vai-e-vem de uma história policial encontram aqui um eco na análise cáustica que o autor faz de uma instituição considerada séria e circunspecta no Brasil: a universidade. Nas passagens em que esta crítica transparece, fica clara a acuidade sofisticada com que se refere o narrador à empáfia daqueles que se colocam nos píncaros do saber, por ostentarem título, acompanhando a política do publish or perish — praga imposta por certa “globalização” equivocada —, um dos pontos de ancoragem da história contada neste romance.

Leitura leve, que flui engenhosa, o livro de Embla Rhodes apresenta uma história que põe a nu as dúvidas que muitos de nós temos, sem a sensaboria do tratado ficcionalizado. A dúvida que nos faz pensar, a todo momento, sobre o percurso que acreditamos estar seguindo ao longo da existência humana sobre um planeta tão complexo e surpreendente. Por outro lado, a articulação de um fio narrativo policialesco do autor de Viagem ao sol, na sua originalidade, reside apenas e somente no desejo de contar uma história, calcada no conhecimento e no desejo individuais do autor. Não é mesmo esta a única chave-mestra que pode tentar abrir caminho para uma explicação sobre esse fenômeno cultural, a Literatura?

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Características