Apropriações, de Tadeu Chiarelli
O historiador, crítico e curador Tadeu Chiarelli reúne em Apropriações um significativo conjunto de textos sobre arte contemporânea brasileira, produzidos entre 1987 e 2021, a partir da análise de obras e poéticas.
Neste período, observa-se uma nova expansão das imagens técnicas, a presença da fotografia na produção nacional e a definitiva inserção da cultura visual potencializada pela economia digital. Daí o interesse especial de Chiarelli em analisar os conceitos de apropriacionismo, citacionismo e as chamadas Imagens de Segunda Geração, título de sua primeira curadoria no MAC-USP em 1987, cuja apresentação abre este livro, tornando-se o fio condutor de toda a coletânea.
Uma qualidade central do exercício da crítica é extrair do objeto analisado discursos e percepções distintos, fazendo emergir contradições que a própria natureza do objeto evoca. É nessa perspectiva que se constitui o pensamento de Tadeu Chiarelli. São ensaios, artigos, palestras, textos para exposições e catálogos que formam um valioso arquipélago histórico em que o leitor poderá traçar suas rotas e conexões de modo sempre novo e singular sobre artistas de diversas gerações e linguagens.
Mariano Klautau Filho
Sobre o Autor:
Tadeu Chiarelli é historiador e crítico de arte, nascido em Ribeirão Preto, em 1956. É professor sênior do Programa de Pós-Gradução em Artes Visuais das Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, onde também foi professor do Departamento de Artes Plásticas de 1982 a 2019. Foi curador-chefe do Museu de Arte Moderna de São Paulo (1996-2000), diretor do Museu de Arte Contemporânea da USP (2010-2014) e diretor geral da Pinacoteca de São Paulo (2015-2017).
Sumário
Introdução 9
ANOS 1980
Considerações sobre o uso de imagens de segunda geração 13
Emmanuel Nassar: erudito e popular 26
ANOS 1990
Rosângela Rennó: considerações preliminares 29
A fotografia contaminada 34
Sobre 241, de Caio Reisewitz 38
Neopictorialismo 42
Identidade/não identidade: A fotografia brasileira hoje 50
Sobre BRASIL, de Emmanuel Nassar 58
Paulo Whitaker e seu território movediço 62
Sobre os monocromáticos de Nelson Leirner 64
Para que Duchamp? ou: sobre alguns trabalhos de Waltercio Caldas 67
Sobre algumas obras de Alfredo Nicolaiewsky 74
ANOS 2000
Marco Paulo Rolla: da volúpia do desejo à simplicidade da morte 83
Algumas considerações sobre a obra de Gustavo Rezende e os portos menos inseguros 86
O autorretrato na (da) arte contemporânea 93
Aqui dentro do lado de fora: apresentando Sidney Amaral 102
Nelson antes de N. Leiner 103
A estranheza de João Câmara 105
O Drama de Sandra Cinto 123
Mônica Nador: a cidade como palco, o artista como ator anônimo 128
A propósito ou a partir da série “Brazil today”, de Regina Silveira 131
Da fotografia à pintura à fotografia à pintura à fotografia: comentários sobre a produção de Emmanuel Nassar 155
Balanço final: novos vetores 160
afotodissolvida 167
Sobre o que fala a série “Divina Comédia” de Paulo Gaiad? 174
Luiz Braga e a fotografia opaca 178
Luiz Braga e Emmanuel Nassar: Matrizes 192
Como explicar arte contemporânea brasileira para o público internacional 209
Anna Bella Geiger: outras anotações para o mapeamento da obra 241
O artista como editor: Alfredo Nicolaiewsky 252
Processos híbridos: o caso brasileiro a partir dos anos 1970 253
Porque arte hoje: o caso suwud 269
ANOS 2010
Descarimbando as figurinhas: sobre as fotos de Gilda Mattar 287
Uma resenha, mesmo que tardia: Roberto Pontual e a sobrevida da questão da identidade nacional na arte brasileira dos anos 1980 309
Duas hipóteses para a arte contemporânea 319
Emmanuel Nassar: uma conduta consumidora crítica 329
O brasileiro na grade: anotações sobre a questão identitária na arte brasileira 340
Nelson Leirner Pintura 1, 1964 356
Henrique Oliveira: do espaço ao tempo; do tempo ao lugar 357
Sobras: problematizando a obra de Geraldo de Barros 362
Você faz parte II, de Nelson Leirner: especulações sobre a arte no Brasil e a consciência da instituição arte 376
Em um mesmo Nino 385
Marcelo Zocchio e a repulsa à dimensão volátil da imagem 393
Sofia Borges e a realidade como lama densa 399
Sobre os espelhos de Bruno Dunley ou em busca da lanterna dos afogados 405
Sidney Amaral: entre a afirmação e a imolação 412
Desnaturalizar a imagem do Amazonas: as fotos de Luiz Braga 418
Concreto, neoconcreto: a semantização continua 425
ANOS 2020
Dora Longo Bahia: de frente para o crime 431
Marina Saleme e a mulher com as mãos nos ombros, a cabeça abaixada, as pernas e os pés tensos 434
A obra de Anna Bella Geiger e o colapso do autorretrato tradicional 444
Flávio Cerqueira e a promessa de uma obra 449
André Ricardo: entre o que pintar e o como pintar 460
Sites dos Artistas 465
- Medida: 23cm x 16cm x 3cm
- Páginas: 468 páginas
- Peso: 740g
