Belair cinema sonho, de Leonardo Esteves
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Belair cinema sonho, de Leonardo Esteves
Ao fundarem a Belair Filmes, Rogério Sganzerla, Julio Bressane e Helena Ignez iniciaram um experimento cinematográfico movido pelo sonho, pela pretensão ilimitada, pelo desajuste e pelo confronto sem rodeios. A inconformidade com o presente é a linha que atravessa as contradições presentes em suas falas e filmes, entre a contemporaneidade e o futuro.
Fazer cinema propondo, em parte, negá-lo é a condição dialética que torna a Belair um evento singular e um importante objeto de reflexão sobre um entre-lugar do cinema brasileiro. Em sua época, a produtora foi vista como um fracasso ou até mesmo um equívoco. Mais tarde, porém, seria associada à expressão “terremoto clandestino”, de origem concretista, ligada à recuperação erudita da margem.
Pequena, mas grande; notável, mas despercebida; efêmera, mas duradoura, a Belair pode ser compreendida como uma experiência em sintonia com a vanguarda cinematográfica.
Para Sganzerla, o “diretor de vanguarda” — papel que ele próprio assumia — deveria querer “fazer o que não se pode fazer”, chegando ao ponto de realizar um filme “voluntariamente péssimo e livre”. É justamente nessa radicalidade que reside a força da Belair: uma experiência que rompeu com convenções e abriu novas possibilidades para o cinema brasileiro.
Como afirmou Julio Bressane em Viola chinesa (1978), a Belair representou “uma lufada de ar novo” na atmosfera do cinema brasileiro. Embora seus filmes tenham sido proibidos e não tenham chegado às salas de exibição, a produtora transformou o panorama daqueles que produziam e pensavam o cinema no país.
Sobre o autor: Leonardo Esteves é docente da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), onde atua no Bacharelado em Cinema e Audiovisual. Integra também os quadros permanentes do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea (PPGECCO) e do Programa de Pós-Graduação em História (PPGHIS).
Como cineasta, produziu e dirigiu cinco curtas-metragens, entre eles Alguém tem que honrar essa derrota (2009) e Crepúsculo do grão (2017).
Sumário
Prefácio: uma hipótese chamada Belair 11
Entrada 19
Belair
O “mercado que eles estão abrindo” “deve servir pra alguma coisa” 31
Origens da fissura 75
As promessas de renovação 77
As promessas de desconstrução 90
O avacalho tematizado 90
O avacalho descentralizado 93
O avacalho participante 94
Temporalidades 99
Materialidade inocente? 102
Belair 109
Bel-Air, Bel Air e Belair 110
Achados e perdidos 114
Reconstituições (im)prováveis 125
Exibições 143
Cinema
Cinema físico e cerebral 153
A alta produtividade 154
As cores e as críticas à internacionalização 160
Físico X cerebral 170
Cinema cerebral 174
Obscuridade noturna 177
Horror extra-diegético 180
Afirmação materialista 184
Cinema físico 187
Anamorfose 189
Miscigenações para um “filme-soma” 202
A desconstrução em fragmentos 215
A extensão da reciclagem sobre “uma imagem antiga do cinema brasileiro” 219
Parêntese sobre uma imagem de início e fim 223
Um flashback do barulho 228
Sobre a autonomia dos fragmentos 237
O fragmento da desconstrução 243
Questões acerca do reflexo 250
O plano-sequência em um enquadramento brasileiro 256
Linguagem-Brasil 262
Tomada primeira e única 266
Fazer literatura na tela 281
Sonho
Carro enguiçado, voo planado 291
Antônio Calmon, o underground interrompido e o 16mm 297
O capítulo Bandeira contra o Doutor Moura Brasil 300
Ivan Cardoso e a “estética tradicional subdesenvolvida” 309
Contradições industriais em torno da profissionalização e do desbunde 320
Sonho prolongado: o último filme Belair 325
O sucesso e a sucessão 330
A influência perdida ou adulterada 334
A expansão do trailer 337
O primeiro filme Belair 343
O último filme Belair? 353
Referências bibliográficas 361
Agradecimentos 379
















