Ironia e Humor na Literatura, de Lélia Parreira Duarte
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Ironia e Humor na Literatura, de Lélia Parreira Duarte
Publicar estudos produzidos ao longo de anos é um modo de compilar interrogações, respostas possíveis a essas interrogações, convicções defendidas, enfim, obsessões que resultam mais de uma invencível curiosidade do que de qualquer teimosia ideológica ou científica. Curiosidade que não se pode evitar quando se elege a ironia como universo de palavras a demonstrar, procurando respostas que se divertem ou convencem, nunca vencem em definitivo. Procurá-las em diferentes épocas e autores, em diferentes modalidades é já, efectivamente, da ordem da obsessão. Mas nunca, como bem se pode verificar desde a Introdução, nunca da ordem da teimosia pura e simples, ou sequer da certeza de que já se encontrou a solução. O que requer de facto uma pertinência (que é também paciência), uma indefectível vontade de compreender a literatura ou o modo como se nos apresenta em processo de escrita.
Olhando para os autores e obras de literatura portuguesa que este trabalho nos oferece, em consonância com outros – e não por acaso os infindavelmente estuda dos Machado de Assis e Guimarães Rosa – surpreendem-nos a leitura e diversidade de autores e épocas, sim, mas, sabendo que este conjunto de estudos é apenas uma par te dos muitos mais que a autora tem realizado, percebemos como funciona a apaixo nada curiosidade de uma vida: um esforço de procura e resposta ao longo de muitas outras tarefas que se foram realizando, para situações muito diversas, desde comunicações em congressos a aulas de graduação e pós-graduação, numerosa preparação de outros estudiosos em teses de mestrado e doutoramento. Enfim, é o retrato de uma vida académica que leva de arrastão toda a outra, não académica.
É esta curiosidade, e a luminosidade feliz que a ironia lhe proporciona, esta pertinência, as respostas que a propósito nos vai dando, que devemos agradecer à autora. Não só o melhor conhecimento que através dos seus estudos podemos ter dos autores de literatura em causa, mas o exemplo de uma vida dedicada ao estudo, ao esclarecimento de outros, à interrogação que outros também se põem, uma muito completa acção de alguém que é por natureza e por paciência, nunca esgotada, uma professora a quem cada dia traz não só novas como inesgotáveis tarefas, alguém para quem a palavra “rotina” significa muita coisa que se repete, menos a repetição do já conheci do e do já feito. Antes e sempre o reiniciar algo de novo, insaciavelmente.
Mª de Lourdes A. Ferraz
Universidade de Lisboa
Sobre a Autora:
Lélia Parreira Duarte é Professora Titular de Literatura Portuguesa (aposentada, na UFMG, e na ativa, na PUC Minas). Autora de Camões & Sá-Carneiro, editora da revista Scripta e organizadora de coletâneas de ensaios (de que também participou), como As máscaras de Perséfone: figurações da morte na literatura, Temas portugueses e brasileiros e Outras margens (sobre Guimarães Rosa).
Sumário
Prefácio 9
Arte & manhas da ironia e do humor 17
A criatividade que liberta: riso, humor e morte 51
Os Lusíadas, de Camões, e a Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto: diferentes perspectivas das viagens portuguesas 69
António Vieira
Ambigüidade nos Sermões de Vieira: dar a César ou a Deus? 77
Palavra plena x palavra vazia: o jogo de Vieira e o de Fernando Pessoa 87
Almeida Garrett
Viagens na minha terra – um exemplo de modernidade 101
Camilo Castelo Branco e Machado de Assis
A reversibilidade irônica de Camilo em A queda dum anjo 117
A ironia romântica e a valorização da tessitura textual em Camilo e Machado 141
“Missa do galo”: ironia romântica, humor e leveza 153
Eça de Queirós
A lúdica complexidade de A ilustre casa de Ramires 167
A valorização do leitor na obra de Eça de Queirós (ou respondendo a Machado de Assis e a Fernando Pessoa) 177
Alves & Cia., de Eça de Queirós, e Amor & Cia., de Helvécio Ratton 199
Mário de Sá-Carneiro
A confissão de Lúcio e a ironia romântica 209
Fernando Pessoa
Encenação e fingimento na poesia de Fernando Pessoa 219
Fernando, rei da nossa Baviera: um jogo no limite do silêncio 233
Fernando Pessoa, um fio de ironia 241
Dostoiévski
“Polzunkóv”, o funâmbulo, ou o engano reduplicado 271
Guimarães Rosa
A ironia na obra de Guimarães Rosa, ou a capacidade encantatória de um divino embusteiro 285
Não já e ainda não: a leveza do humor em Guimarães Rosa 295
Brejeirinha e outros doidinhos/artistas de Guimarães Rosa 311
Assunto de silêncios ou poesia em “Cara-de-bronze” 325
Esboço de uma bibliografia sobre ironia e humor 335
- Medida: 14 cm x 21 cm x 2cm
- Páginas: 360 páginas
- Peso: 450 gramas









