"Quem me comeu a carne tem de roer-me os ossos!" Aluísio Azevedo pela crítica contemporânea, de Claudia Barbieri, Haroldo Ceravolo Sereza e Leonardo Mendes (Orgs.) (Pré-Venda - envios após 10/03)
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“Quem me comeu a carne tem de roer-me os ossos!” Aluísio Azevedo pela crítica contemporânea, de Claudia Barbieri, Haroldo Ceravolo Sereza e Leonardo Mendes (Orgs.)
Todos os autores inspirados pelo naturalismo, tanto no século XIX quanto nas primeiras décadas do século XX, sofreram um intenso processo de simplificação interpretativa – um duplo empobrecimento de suas obras e dos alicerces teóricos que as sustentaram. Com Aluísio Azevedo, não foi diferente. O autor que, em vida, fora celebrado como um dos principais artífices de uma literatura moderna e socialmente engajada, passou a ser lido, ao longo do tempo, por meio de um filtro redutor que privilegiou a leitura moralista, o rótulo de imitador e a canonização isolada de O cortiço como obra paradigmática.
A produção do livro Aluísio Azevedo pela crítica contemporânea nasceu da necessidade de enfrentar esse processo crítico de erosão. Nosso objetivo não era apenas reavaliar a fortuna crítica do autor, mas também compreender o modo como sua recepção exemplifica a trajetória do naturalismo brasileiro: um movimento frequentemente julgado pela ótica do “déficit” – de originalidade, de rigor científico,de decoro, de arte –, mas cuja vitalidade literária e editorial foi decisiva para a formação de um público leitor e para a consolidação do campo literário no país. O Aluísio Azevedo que emergiu desse encontro é, retomando a imagem da crônica de Olavo Bilac, um “pai de muitos filhos”: múltiplo, heterogêneo, contraditório, dotado de uma variedade de registros e procedimentos que ultrapassam a divisão tradicional entre “romances de tese” e “romances de encomenda”.
Sua obra capta, com rara acuidade, a formação de uma cultura moderna atravessada pela imprensa, pela ciência e pelas novas formas de consumo simbólico – aquilo que, mais tarde, se chamaria de indústria cultural. Longe de se limitar ao determinismo biológico do naturalismo canônico, Aluísio mostra-se capaz de articular o discurso científico com as transformações culturais e intelectuais de seu tempo: o avanço da sociologia e da psicologia, o positivismo médico, a consolidação das ciências políticas e econômicas, o surgimento da comunicação de massa.
(2a. edição)
Sobre os Organizadores:
Claudia Barbieri é doutora em Estudos Literários pela UNESP e professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. É autora de Personagem capital: Lisboa por Eça de Queiroz (Appris) e Gervásio Lobato: teatro publicado (EDUR).
Haroldo Ceravolo Sereza é doutor em Letras pela USP e professor da pós-graduação da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo e da Universidade Federal de São Carlos. É autor de O naturalismo e o naturalismo no Brasil (Alameda).
Leonardo Mendes é doutor em Letras pela Universidade do Texas em Austin (EUA) e professor titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. É organizador de A biblioteca imunda: produção de saberes, entretenimento e dissidência sexual na literatura pornográfica luso-brasileira dos séculos XIX e XX (Alameda) e autor de Leitura para homens: pornografia, naturalismo e modernidade na Belle Époque (Pedro & João).
Sumário
Sobre a Coleção Crítica Contemporânea 07
Andréa Sirihal Werkema e Rafael Fava Belúzio
Aluísio Azevedo para além de O cortiço 09
Claudia Barbieri, Haroldo Ceravolo Sereza e Leonardo Mendes
Um folhetim, quantos romances? O Mistério da Tijuca e os seus desdobramentos narrativos 33
Claudia Barbieri
Mattos, Malta ou Matta? 75
Narrativa policial “ao correr da pena”
Susana Neves Tavares Bastos de Pinho Silva
“Cortinas de veludo negro”: traços góticos em Pegadas (1898), de Aluísio Azevedo 109
Marina Sena
Demônios em quadrinhos: as adaptações de Aluísio Azevedo para a arte sequencial e uma análise do trabalho de Eloar Guazzelli 135
Santhyago Camello
O homem como obra capital de Aluísio Azevedo 161
Leonardo Mendes
Aluísio Azevedo escreve pornografia: os casos de O homem (1887) e Livro de uma sogra (1895) 197
Thales Sant’Ana Ferreira Mendes
O direito feminino ao gozo nos romances de Aluísio Azevedo e os manuais de aconselhamento sexual e matrimonial portugueses do século XIX 235
Marina Pozes Pereira Santos
Duas faces da mesma moeda: o sexo e o sonho na obra de Aluísio Azevedo 261
Angela Maria Dias
“Que loucura é essa, neném?!”: Aluísio Azevedo, Aurélio de Figueiredo e Raul Pompeia numa edição ilustrada de Casa de pensão 281
Gilberto Araújo
Aluísio Azevedo promotor de Casa de pensão 311
Cleyciara dos S. Garcia Camello
O cortiço e o petisco: romance e o teatro 341
Orna Levin
Personagens trabalhadoras em O cortiço de Aluísio Azevedo: uma análise de tradição marxista 365
Angela Maria Rubel Fanini
O coruja: entre o símbolo e a história 383
César Braga-Pinto
Revolução burguesa e anti-imperialismo em O Japão de Aluísio Azevedo 419
Haroldo Ceravolo Sereza
Anexos:
1) Aluísio Azevedo e Pérez Galdós 441
2) Carta a Gustavo Martínez Zulvíria 449
Sobre os autores 453
- Medida: 14 cm x 21 cm x 2cm
- Páginas: 458
- Peso: 570 gramas











