Os dilemas do frentismo democrático: uma história do MDB na gênese da Nova República; De Eduardo Zayat Chammas
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Os dilemas do frentismo democrático: Uma história do MDB na gênese da Nova República; De Eduardo Zayat Chammas
Como se construiu a oposição à ditadura militar brasileira e de que maneira essa articulação influenciou os caminhos da redemocratização? Em Os dilemas do frentismo democrático, Eduardo Zayat Chammas investiga a formação, o auge e a crise da política de frentes democráticas que reuniu diferentes setores da esquerda e do campo liberal em torno do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) durante os anos 1970.
Originalmente desenvolvida como tese de doutorado em História Social pela USP, a pesquisa concentra-se no período entre 1973 e 1979, acompanhando o processo que vai da anticandidatura de Ulysses Guimarães à presidência até a retomada do pluripartidarismo e a fragmentação da oposição. Para reconstruir esse percurso, o autor toma como fontes centrais cinco publicações da imprensa de resistência: Opinião, Movimento, Voz Operária, Debate e Brasil Socialista.
O livro acompanha as tensões entre diferentes projetos políticos que, apesar de suas divergências, encontraram no combate à ditadura e na defesa das liberdades democráticas um terreno comum. O MDB tornou-se, nesse processo, um importante polo de articulação da oposição institucional, ao mesmo tempo em que enfrentava disputas internas entre setores mais moderados e grupos que defendiam uma atuação mais combativa.
Chammas demonstra que o chamado “frentismo” não constituiu propriamente uma frente política organizada em torno de um programa único. Tratava-se antes de uma política frentista, marcada por aproximações, conflitos, ambiguidades e diferentes concepções sobre os caminhos para enfrentar o regime. Essa heterogeneidade foi, simultaneamente, uma de suas forças e uma das razões de sua crise.
As eleições de 1974 e 1978 aparecem como momentos fundamentais dessa trajetória. O expressivo crescimento eleitoral do MDB ampliou sua importância política e evidenciou a capacidade de articulação entre a oposição institucional e diferentes movimentos sociais. Ao mesmo tempo, a mobilização de trabalhadores, movimentos urbanos e outros setores da sociedade pressionava os limites estreitos da abertura conduzida pelo regime.
O auge do frentismo, entretanto, seria seguido por sua crise. Entre 1978 e 1979, o fim do AI-5, a Lei da Anistia e a retomada do pluripartidarismo alteraram profundamente o cenário político. A possibilidade de criação de novos partidos colocou em xeque a capacidade do MDB de continuar reunindo forças políticas tão distintas, levando à fragmentação da oposição e ao surgimento de novas alternativas partidárias.
A análise de Chammas questiona, assim, uma visão idealizada do período como uma grande união dos democratas contra a ditadura. O autor evidencia os conflitos entre liberais, comunistas, novas organizações de esquerda, movimentos sociais e diferentes grupos dentro do próprio MDB, mostrando que a transição brasileira foi resultado de uma disputa complexa entre projetos de democracia.
Ao recuperar essas contradições, Os dilemas do frentismo democrático propõe uma nova leitura da gênese da Nova República. A mobilização construída pelo frentismo nos anos 1970 contribuiu para criar o lastro social e político necessário à transição, mas também foi incorporada a um processo de democratização marcado pela conciliação e pela permanência de importantes elementos das estruturas anteriores.
Mais do que uma história do MDB, o livro é uma investigação sobre as relações entre esquerda, liberalismo, imprensa, movimentos sociais e instituições durante os últimos anos da ditadura. Ao acompanhar os debates travados na imprensa de resistência, Eduardo Zayat Chammas revela as disputas que estiveram por trás da construção da democracia brasileira e convida o leitor a refletir sobre os limites, as conquistas e as contradições da transição que deu origem à Nova República.
Sobre o autor: Eduardo Zayat Chammas é Mestre e Doutor em História Social pela Universidade de Sãoi Paulo e pesquisa o período do Brasil Republicano, com ênfase na ditadura militar e nas áreas de história política e história da imprensa. É professor de História da educação básica e atua como Consultor Pedagógico em Ciências Humanas.
Sumário
Apresentação 15
Capítulo I
Os dilemas do frontismo democrático de oposição à ditadura 21
O debate historiográfico sobre a transição 34
A imprensa de resistência como fonte 41
O MDB, o frontismo e a transição liberal-conservadora 48
A ideia de “frente” e a questão histórica do “frontismo” 52
Capítulo II
A imprensa de resistência como esfera pública das esquerdas nos anos 1970 65
O jornal Opinião 74
O jornal Movimento 83
O jornal Voz Operária 92
A revista Debate 97
A revista Brasil Socialista 104
Capítulo III
Da gênese do frontismo à Lei Falcão 109
A anticandidatura de Ulysses Guimarães 121
As eleições de 1974 144
A perseguição aos comunistas e a Lei Falcão 189
Capítulo IV
Dilemas da política institucional 239
As eleições municipais de 1976 244
A reforma do Judiciário e o Pacote de Abril 265
O MDB entre o “diálogo” e a Constituinte 278
Capítulo V
Apogeu e crise do frontismo 293
As lutas sociais e a atuação político-partidária 297
Frente democrática, bipartidarismo e eleições em debate 323
Novos partidos, novas frentes 358
Tancredo Neves entre o PP e o PMDB: a transição liberal-conservadora em busca de base social 386
Capítulo VI
Considerações finais: a política do frontismo e a transição nas páginas da imprensa de resistência 397
Referências 413
Agradecimentos 453















