PRÉ-VENDA: Vala de Perus, uma biografia, de Camilo Vannuchi (ENVIO A PARTIR DE 02/12/2020)

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Marca: Alameda Modelo: 2020 Referência: 978-65-86081-81-7

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Como um ossário clandestino foi utilizado para esconder mais de mil vítimas da ditadura

Este livro narra em detalhes a descoberta da vala de Perus, trinta anos atrás. E também os cinquenta anos compreendidos entre a construção do Cemitério Dom Bosco, em 1970, e a recente retomada das análises das ossadas em busca de identificação.

Caco Barcellos

A vala de Perus simboliza um grito de vida e de luta, que nos mostra que não viramos a página da História de um Estado de horrores, violento e omisso. Ali foram abandonados restos mortais de pessoas que tinham rosto, tinham vida, afetos, desafetos e uma história.
Amelinha Teles
 

Em 1990, o Brasil já estava sob a presidência do seu primeiro governo civil eleito após mais de duas décadas de Ditadura Militar. O presidente do país era um civil, mas representava muitas da forças que participaram ativamente do período de arbítrio. Assim seguia a “transição democrática”, e grande parte do passado de violência e crimes dos agentes da ditadura permanecia escondido.

Foi neste ano, durante a gestão da prefeita Luiza Erundina, que uma das mais importantes revelações sobre a política de perseguição, extermínio e ocultação de cadáveres pela ditadura veio à tona. Uma vala coletiva foi localizada no cemitério Dom Bosco, no bairro de Perus, na região noroeste da capital paulista.

A existência da vala clandestina, sem qualquer indicação no mapa do cemitério e nos registros da prefeitura, era um dos grandes segredos da ditadura. Ali foram encontrados mais de mil sacos com ossadas de militantes políticos perseguidos pelo DOI-Codi, a terrível força paramilitar organizada pelo Estado brasileiro para perseguir opositores, e de indivíduos enterrados como indigentes, muitos deles vítimas da ação violenta de policiais e de grupos de extermínio.

A descoberta da vala abria a perspectiva de localizar corpos de pessoas desaparecidas, ali enterradas de forma inapropriada, sem a menor preocupação de informar familiares e/ou amigos da morte. Esse trabalho, fundamental para garantir os direitos dos mortos e de seus familiares, no entanto, foi iniciado nos anos 1990, interrompido pouco depois e apenas recentemente foi retomado, por uma equipe de pesquisadores da Unifesp, depois de muitos anos em que a busca da verdade esbarrou em uma resistência do aparelho de Estado. Durante esses anos todos, foram identificados apenas cinco mortos enterrados ilegalmente na vala.

Recontar a história dessa vala, construída em meados dos anos 1970 e que guarda um dos momentos mais sinistros da história do país,  foi uma missão a que o jornalista Camilo Vannuchi dedicou-se com afinco, numa série de reportagens especiais agora organizadas em livro. O Instituto Vladimir Herzog teve a iniciativa de produzir esta pesquisa, publicar a história da vala em capítulos no portal Memórias da Ditadura e participar agora da edição deste livro, rompendo a mordaça que silenciou para a opinião pública as barbáries que a cova procurou ocultar.

São esses capítulos da nossa história que recebem agora uma edição que consolida, numa narrativa de fôlego, uma trajetória infelizmente trágica, que precisa ser revertida, em nome dos direitos humanos e da democracia.

 

Sobre o autor: Camilo Vannuchi é jornalista e escritor. Trabalhou nas revistas IstoÉ e Época São Paulo, foi colunista no site da Carta Capital e hoje mantém uma coluna no UOL. Foi membro e relator da Comissão da Memória e Verdade da Prefeitura de São Paulo. Pela Alameda Editorial, publicou a biografia Marisa Letícia Lula da Silva (2020).

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