Toda Comida é Política, de Joana Monteleone
Ensaios sobre história e alimentação
Em mais uma obra de sua rica produção como historiadora, Joana Monteleone reúne neste livro artigos que publicou em sua coluna no Brasil de Fato e também alguns escritos inéditos. São textos que talvez pudessem ser definidos como crônicas históricas, mas com um estilo muito próprio e cativante.
Com linguagem leve e direta, ela entrelaça fatos e situações do passado e do presente (um presente tomado pela pandemia de Covid-19), que nos levam a pensar sobre a sociedade e sobre nós mesmos. Temas relacionados à história da alimentação e da gastronomia alinhavam a maior parte dos textos, que vão do tom de denúncia ao de homenagem, do café à cerveja, do Brasil à Europa, do açúcar à pipoca, da greve de 1917 à fome pandêmica, do choripán de Cristina Kirchner ao sanduíche de mortadela de Dilma Rousseff.
Como sugere o título, o livro mostra, texto a texto, como a política é inerente à comida, seja na produção de alimentos, seja nos usos e significados que ingredientes tomam ao serem preparados, consumidos, compartilhados, desejados. Com um olhar crítico e o ímpeto de provocar questionamentos, Joana faz um convite à reflexão e oferece um generoso estímulo para novas pesquisas.
Viviane Soares Aguiar
Sobre a Autora:
Joana Monteleone é historiadora, editora e professora colaboradora da Universidade de São Paulo. Dedica-se ao estudo da história da alimentação, da cultura material e do consumo no Brasil. É autora de O circuito das roupas, Sabores urbanos e Toda comida tem uma história, além de organizadora de obras sobre moda, literatura e memória. Atualmente, integra o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e desenvolve pesquisas sobre consumo, moda, trabalho feminino e história da alimentação. Também atua como editora na Alameda Casa Editorial.
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Sumário
Prefácio 9
Parte I – Fome, Política e Resistência
A comida como linguagem 15
Para cozinhar o lobo da fome 19
“Gente é para brilhar e não para passar fome”: uma campanha fundamental 23
Josué de Castro e a luta urgente contra a fome no Brasil 27
Por que o Manifesto de Pollenzo importa 31
Quem cobiça o café Guaií, do MST? 53
O café do Bruno: filosofia, política e amor 63
As pianistas de café: as trabalhadoras invisíveis da bebida que move o mundo 67
Açúcar: o doce da sobremesa e o inferno da escravidão 73
O campo, os cantos de trabalho e a resistência 79
Comida, guerra e os cercos a Paris 83
O feijão de Benedita 87
O pão e o papel de Carolina Maria de Jesus 93
O corpo, a terra e o prato de Tainá Marajoara 97
Comida é poder: uma leitura de Estômago 101
Parte II – Cultura, Memória e Sociabilidade
Mariana de Alcoforado e a erótica linguagem dos doces portugueses 109
Sobre rainhas, brioches e guilhotinas 113
O livro do chá japonês: do oriente ao ocidente 119
A poesia da árvore de folhas douradas: a Gingko Biloba 127
A cachaça, os velórios e o ato de beber o morto 131
Cachaça, caipirinha e prosa na São Paulo da garoa 135
A cidade e a bebida: paulistas e caipirinhas 139
Fogo líquido: cachaça, axé e repressão 143
Botecar, verbo intransitivo 149
Churrasquinho, cerveja e pipoca: o gosto da liberdade 155
Uma ode aos cadernos de receitas das avós 159
A cozinha como campo de batalha: gênero, trabalho e silêncio 163
El choripan de Cristina Kirchner e os nossos sanduíches de mortadela 167
Parte III – Sabores, Mercadorias e Capitalismo
As guerras das bananas 173
O mel e o fim das abelhas 181
O sorvete e o racismo estadunidense 185
Sobre gelos, sorvetes e afins em cidades tropicais do século XIX 189
Cauim, a bebida ritual 193
Uma pequena história da cerveja no Brasil 197
O chocolate e as guerras 205
A história da palmeira imperial no Brasil 211
A perigosa história dos jardins botânicos ao redor do mundo 215
O estranho caso da Supergel 221
A guerra através das oliveiras 225
Fome, carne e silêncio: o inominável em A paixão segundo G.H. 229
Parte IV – Tempo, Crise e Invenção
Comida de quintal 241
A comida dos dias 245
1917, a greve que garantiu as Feiras Livres em São Paulo 249
A Gripe Espanhola, a pandemia que varreu o mundo em 1918 253
Tempo de proibições: a relação entre a pandemia e a Lei Seca 261
A urgência e a história da sopa de pedra 265
Alguns ovos e a estranha sopa de tartaruga do século XIX 269
A história do quilograma, essa medida revolucionária 275
Eles tacam fogo, a gente semeia de novo 279
O lugar das mulheres é na cozinha. Qual cozinha? 283
Sobre o trigo, o pão e as padeiras no século XIX 287
Os muitos milhos do Vale Sagrado dos Incas 293
A pipoca e a vida moderna 297
A galinhada da Sinhá Vitória 301
Às vezes a sobremesa é a bala: Tarantino e o banquete da violência 307
Os muitos escritos de Jack Goody 311
- Medida: 14 cm x 21 cm x 2cm
- Páginas: 316 páginas
- Peso: 407gramas
