Paul Ricoeur e a filosofia da vontade, de José Aguiar Nobre, Andrés Bruzzonne, Donizete Xavier, Roberto Roque Lauxen (orgs.)
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A coleção Ricoeur propõe um espaço editorial de encontro entre filosofia, literatura e ciências humanas, à altura da complexidade e da abertura que marcam o pensamento de Paul Ricœur.
Este volume reúne textos derivados do I Ateliê Ricœur na América Latina, realizado na PUC-SP em 2024, e articula debates em torno da primeira fase do pensador francês e seu projeto de uma Filosofia da vontade, articulado em obras como Le volontaireet L’involuntaire (ainda sem tradução para o português), O homem falível e A simbólica do mal.
Longe de documentar um encontro acadêmico, este livro constitui uma contribuição efetiva para os estudos ricœurianos em língua portuguesa, fortalecendo o diálogo internacional e incentivando novas pesquisas. A Filosofia da vontade é um arcabouço essencial e permanente do pensamento de Ricœur e impõe-se de modo particular no contexto contemporâneo, marcado por tensões entre autonomia proclamada e múltiplas formas de condicionamento biológico, psíquico, social e tecnológico.
Ao recusar tanto o determinismo quanto o voluntarismo, Ricœur oferece uma compreensão da ação humana fundada na articulação originária entre iniciativa e receptividade, decisão e padecimento, liberdade e limite. Pensa o sujeito não como instância soberana e autotransparente, mas como um ser capaz, cuja liberdade se exerce sempre no interior de condições que não escolheu, mas que assume e interpreta.
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Os debates atuais sobre responsabilidade ética, vulnerabilidade, sofrimento, cuidado e reconhecimento, bem como a crítica das concepções reducionistas do humano, sejam aquelas que absolutizam a vontade, sejam aquelas que a dissolvem em mecanismos impessoais, encontram neste livro uma sólida reflexão em múltiplas vozes. Ao reinscrever a liberdade na espessura concreta da existência, Ricœur permanece uma referência decisiva para compreender o agir humano em sua complexidade, fragilidade e abertura ao sentido.
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Sumário:
Prefácio - 7
1. O paradoxo ético do hábito, por Olivier Abel - 13
2. O homem padecente - Uma fenomenologia da paciência em Le volontaire et L’involontaire de Paul Ricœur, por Patricio Mena Malet - 37
3. Le symbole donne à penser - Continuidade e rupturas no pensamento de Paul Ricœur, por Fernanda Henriques - 53
4. Fragilidade, miséria e desejo - Notas sobre a dimensão social da primeira antropologia de Ricœur, por Gonçalo Marcelo - 69
5. Desejo de ser e esforço por existir: aspectos da desproporção ontológica em L’homme failible, de Paul Ricœur, por Cristina Amaro Viana - 95
6. Pensando o Mal com Paul Ricœur numa perspectiva de 40 anos: relendo a simbólica do mal pelas lentes do epílogo de A memória, a história, o esquecimento, por Joseph Edelheit - 121
7. A fenomenologia da vontade de Paul Ricœur e a sombra da promessa, por Roberto Roque Lauxen e Cristina Henrique da Costa - 135
8. A unidade do ser humano: Intenções fenomenológicas do Voluntário e Involuntário, de José Aguiar Nobre - 153
Sobre os autores - 167












