Código: 446

AETHER

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Referência: 978-85-7751-00


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Em Æther temos uma bem urdida trama policial, envolvendo roubos, chantagens e assassinatos.
Mas não se trata de uma trama policial qualquer. As instituições acadêmicas que desenvolvem alta ciência são os cenários das trapaças e das mortes.
Deus, tempo, espaço, causalidade, matéria, alma, encarnação, criação, salvação, redenção, determinismo e livre-arbítrio são conceitos deste enredo.
Pesquisa-se um suposto Weakly Interactive Massive Particles, wimps-éter-fluido que nas ciências ocultas seria uma desconhecida “influência ou força misteriosa que emanaria dos astros, dos seres e das coisas, e que explicaria formas de energia aparentemente inexplicáveis”. Busca-se esta fórmula através da máquina eteromaterial do Universo desenvolvida pelo doutorando Augusto Steiner.
Aqui, alta ciência, neopentecostalismo, esoterismo, bruxaria, cura, espiritualidade e tráfico de drogas caminham juntos, aparentemente atitudes antagônicas, mas nem tanto.
Instituições religiosas como a Ordem Templária dos Cavaleiros Brancos e o Templo Evangélico Nova Aliança com Deus — a primeira disseminando e escondendo pretensos altos segredos das ciências esotéricas, contidas no livro Jaiminisûtra e a segunda fazendo uso da mais reles exploração ideológica religiosa — estão em constante contraponto, mas ambas querem a mesma coisa: aumentar o seu rebanho de crentes e roubar fiéis uma da outra.
A ciência, neste caso, busca a descoberta de algo que pretensamente os ocultistas já conhecem e tentam esconder como matéria de uso próprio. Enquanto a ciência quer divulgar, os ocultistas usam este conhecimento como moeda de troca e fazem “justiça” com as próprias mãos, eliminando todo crente desgarrado, com o método do envenamento.
Há aqui um confronto entre a fé e a busca de uma pretensa verdade através das fórmulas físico-alquímico-matemáticas e pesquisas em laboratório. A fé está nos templos e nas ruas e a verdade científica dentro das universidades e o templo acadêmico também não é muito diferente do templo religioso. Picuinhas e disputas correm à solta. Comércio de teses é uma prática comum, tanto quanto o plágio de idéias alheias, bem como o roubo de obras raras.
Há que se atentar também para os topônimos e antropônimos desenvolvidos no enredo. Embla Rhodes dá nome aos bois. Os endereços e as instituições têm os seus nomes verdadeiros e até personagens têm nomes com funções conhecidas ou aproximadas. Isso gera um efeito de estranhamento, a ponto de perguntarmos: “mas é isso mesmo?”, “há alguma verdade por trás disso?”, “essa pessoa fez isso mesmo?”
Por tudo isso, vale a pena mergulhar de cabeça neste alentado volume e se deixar ler por esta trama bem escrita sobre o alto e o baixo da ciência e do comportamento humano.

Antônio do Amaral Rocha

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Características