Código: 632

Poesia Reunida

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Referência: 9788577510788


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Exemplo da experiência universal da interrelação Vida-Amor-Morte

Uma das marcas fortes da poesia de Leila Echaime, ao longo de uma trajetória tão rica e variada, e tão espaçada no tempo, é o sentimento de sofreguidão e ansiedade de uma voz que aparenta ser animada por incontrolável ímpeto fogoso e se traduz em jorro de palavras, erupção verbal. Mas isto não é senão aparência. Seu fazer poético é sempre ´contido, cuidadosamente elaborado, exibindo uma invejável perícia formal, a mostrar que sua obra se pauta, sobretudo, pela disciplina e pela técnica do verso´, como assinala Fernando Py.

Aparentando brotar, com imperiosa naturalidade, da experiência de vida, como se o poema fosse uma película transparente que permitiria entrever a carga vital de que provém, sua poesia é acima de tudo Construto mental, representação metafórica da vida almejada. Em suas mãos, a película transparente se transforma em tecido espesso, ponto de partida e de chegada da matéria de vida para a qual aponta, incapaz de apreendê-la ´tal como é´.

A angústia e o desconsolo, a pesada sensação de perda e incompletude, o sentimento constante da morte, sempre à espreita, têm que ver, inegavelmente, com experiência de vida, mas também com as limitações do ato poético, a obsessão que leva o indivíduo a converter tudo em palavras – engenhosidade verbal que almeja ser a fixação da vida vivida. Para que se converta em poesia, a vida deixa de ser o que é, transformando-se em palavras espalhadas no quadrilátero da página, com arte calculada, e não mais com o ímpeto fogoso de que os sentidos aparentes são a metáfora.

Leila parece acreditar firmemente no lema posto a circular por Goethe: ´Só poeticamente é possível viver´. Ideal luminoso, sem dúvida, digno da dedicação exemplar de uma vida inteira. Intermitentemente, porém, uma nota de rebeldia aflora nessa poesia, a insinuar que isso talvez não passe de ilusão substitutiva, impedindo que o indivíduo ao menos tente viver a vida possível. Qualquer coisa como a desconfiança de que esse ideal sublime possa levar não a viver a vida plena, mas a fugir da vida.

Temos aí um eloquente exemplo da experiência universal da interrelação Vida-Amor-Morte, na visão intuitiva e nos versos comovidos de Leila Echaime, experiência que paradoxalmente lhe garante, como a seus incontáveis admiradores, uma boa razão de viver.

Carlos Felipe Moisés

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