Código: 1088

A greve de 1917

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Referência: 9788579394775


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Um protesto iniciado em uma tecelagem, no bairro paulistano da Mooca, há um século, marcou definitivamente a luta dos trabalhadores em nosso país.

 

As condições de vida eram tremendamente precárias. Não havia leis trabalhistas, não havia garantias para as mulheres e o trabalho infantil era regra, por ser mais barato e mais fácil de controlar.

 

Numa conjuntura de guerra, crise econômica e carestia, a inquietação localizada se espalhou. O patronato respondeu com os argumentos de sempre: pau, bala e demissões. Mas, daquela vez, a agressão não funcionou. A revolta se espalhou por outras fábricas e pelo comércio. Quando os bondes pararam, São Paulo parou junto. Multidões tomaram as ruas, em cenas inéditas até então.

 

Para a oligarquia, plantada em seus casarões da Avenida Paulista e no bairro de Higienópolis, a visão foi aterradora. Dezenas de milhares daqueles considerados feios, sujos e malvados surgiram à luz do dia, entre junho e julho de 1917, para cobrar uma participação mínima por sua contribuição ao desenvolvimento.

 

Nem mesmo a brutalidade oficial deteve aquela gente munida de impulsos terríveis: o desejo de matar fome, ter teto e contar com condições para criar os filhos. A pressão das ruas foi tamanha que os ricos tiveram de ceder. A demanda por salários e melhores condições de vida e trabalho acaba espetacularmente vitoriosa.

 

Nos tempos em que as denominadas “elites” brasileiras buscam retirar direitos dos trabalhadores, remetendo o país a uma situação social semelhante à daqueles tempos, a leitura de A Greve de 1917- os trabalhadores entram em cena torna-se fundamental.  Um século depois, uma lição segue valendo como nunca: a unidade dos trabalhadores é pré-requisito para que qualquer luta sensibilize multidões e resulte em vitórias coletivas.

Gilberto Maringoni

Universidade Federal do ABC

 

 

Sobre o autor: José Luiz Del Roio foi Senador na Itália e membro da Assembleia Parlamentar da Europa em Estrasburgo. Militante político desde a juventude e dirigente do PCB, no ano de 1960, foi um dos fundadores, juntamente com Carlos Marighella da Ação Libertadora Nacional, organização dedicada à luta armada. No exílio viveu em Cuba, Peru, Chile e Itália. Atualmente transita entre Milão e São Paulo, e segue em atividade política.

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