Código: 502

CULTURA BRASILEIRA O jeito de ser e de viver de um povo

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Referência: 85-86372-79-X


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Este livro é, no sentido próprio, um ensaio e seus resultados devem ser avaliados como reflexão e busca de sentido para a dinâmica da aventura moderna brasileira. Sabemos que estamos diante de um País múltiplo, variado, desigual, complexo e contraditório. Neste livro há perguntas, há respostas, há muitas questões e, há nele, sobretudo, um campo de perplexidades.
O livro constitui um longo ensaio, formado por treze ensaios, escritos por treze estudiosos preocupados com o que somos, como vivemos, como sentimos e em que hora estamos. São falas que reconhecem nossas peculiaridades e diferenças nacionais, sociais, políticas, culturais e étnicas, que não pretendem estar fora de seu lugar de fala -- não pretendem driblar a própria sombra -- e entendem, que as zonas obscuras que nos formam podem não estar disponíveis para esclarecimento.
Há enigmas no País que não parecem decifráveis, outros que ninguém postula como tais. Há segredos vedados, cuja revelação parece fora de alcance, mesmo que a solicitação histórica exija um discurso, ainda que metafórico, para dizer de suas dobras amarfanhadas. Cada uma das falas deste livro propõe e expõe enfrentamentos, na condição de sujeito de conhecimento, sendo, ao mesmo tempo, objeto de conhecimento, pois a matéria histórica discutida nos informa e forma a todos, determinações incontornáveis, enfrentamentos contra o concreto e o abstrato, embates de fantasmagorias. Essas falas dizem de um Brasil que foi, que quase é, que talvez pudesse ser ou ainda venha a ser.
As histórias da aventura brasileira moderna sem chave de ouro, sem certezas e sem desfecho previsível. O século XXI, certamente, virá a dizer muitas coisas diferentes sobre tudo isso. Quem viver verá.
Cada um dos treze autores escreveu seu ensaio quase sem saber o que os outros faziam. Receberam breves sugestões, isoladamente, mas contaram com a independência e a liberdade, disponíveis neste mundo, nestas condições da nossa democracia, para escrever como e o que quisessem. Dizer que não houve constrangimentos é ocioso e ilusório. Os organizadores miravam o projeto geral de obter indicações sobre o modo de ser e de viver dos brasileiros.
Os limites necessários e normais para um livro com esse horizonte deixaram de fora muito mais do que aquilo que abrigam em si. Não havia alternativa, reconhecendo-se o arbitrário das escolhas, quase como fadário, ou melhor, fatalidade, pois não há como supor e querer que o País e seu segredo, ou enigma, ou ainda, enigmas, e sua multiplicidade contraditória, caibam num livro, ainda que fosse aquele que se proponha a ´superar todos os livros´.
Os organizadores dispuseram os ensaios em três blocos, reunindo-os por afinidades temáticas, sem que a ordem desses blocos signifique maior ou menor prestígio, ou preferência, pelo menos conscientemente. O leitor perceberá facilmente que o modo de ser dos textos difere bastante entre si, evidência da independência ou liberdade dos autores. A ironia, às vezes o bom humor, o registro crítico, eventualmente o tom inconformista, enfim, a variedade de posturas e inquietações e perplexidades bem revela as dificuldades e os obstáculos para o conhecimento e expressão do que somos e como vivemos.
O leitor notará também que este é um livro democrático e dialógico. Não são enunciadas verdades definitivas, nunca se assume o tom autoritário de quem não quer compartilhar dúvidas e dificuldades. Por sua vez, há um diálogo intensivo com a tradição teórica do País, com as fontes de pesquisa, com os estudos mais antigos ou mais recentes. E pretende-se o diálogo intensivo com o leitor para que a leitura seja uma atividade de trabalho comum, pois só este é o valor constitutivo do ser humano em sua plenitude, pelo menos na plenitude possível nesta atualidade tão problemática. E há, também, neste livro, um outro diálogo, que pretende ser constitutivo do saber, que é a relação crítica entre os textos e as imagens. Essa relação se põe como continuidade e diferença, pois as imagens não pretendem apenas ilustrar os textos, mas dialogar com eles, completá-los ou dissentir deles, enriquecer enfim o conjunto, de modo que o leitor leia e analise as imagens para chegar a um conjunto em que as diferenças digam a que vieram e por que estão ali.
Os muros e distâncias que separam as classes sociais, as frações de classe, as distinções culturais, o popular e o erudito, as diferenças de formação e constituição das regiões hoje oficiais, seus problemas específicos, os processos que instituíram nossas semelhanças e diferenças, o cotidiano, os jogos simbólicos, a indústria cultural e suas aparências alienantes e alienadas, as vivências e experiências modernas, nas festas, nas expressões artísticas, no Direito, nas leis, nas condições de cidadania, e, em síntese, nossa modernidade incompleta constituída de atraso e tecnologia de ponta, convivendo no mesmo espaço social, a poucos metros entre si, incluindo e excluindo milhões de brasileiros, e algo mais.
Podemos dizer que de tudo isso há um pouco neste livro. Não sendo um retrato do Brasil, talvez seja um percurso especular -- retrato espéculo, dizia Drummond sobre o amor -- que evidencie amor e ódio no rastro da aventura em processo, cujo presente é difícil de seguir e cujo futuro será o que formos capazes de pensar, engendrar e dar continuidade. Este não é um livro para ociosos, mas para aqueles que querem, na crítica lúcida e no conhecimento rigoroso construir um País, para além do que ele é hoje.

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