Código: 250

Revista Outubro n° 19

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Referência: 1516-6333


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Outubro n°19:

  Revista do Instituto de Estudos Socialistas

Com certo atraso, apresentamos o 19º número da revista Outubro. Apesar das dificuldades encontradas nossa revista mantém-se como uma referência para o pensamento crítico brasileiro. Este número não teria visto a luz sem a colaboração e o empenho de Daniela Mussi, Leandro Galastri e Verônica de Oliveira Gomes, jovens intelectuais que auxiliaram a secretaria de redação na edição deste número.

O conteúdo desse exemplar pretende revelar ao leitor a pertinência da unidade entre teoria e prática para o pensamento crítico em tempos de crise do capitalismo. Michel Husson abre esta edição com um balanço da crise econômica que se iniciou em 2008 que, apesar do “otimismo de fachada” expresso nas declarações de analistas, golpeou as características essenciais do modelo de crescimento neoliberal vigente. Husson mostra que o modelo adotado pelas classes dominantes nos diversos países impôs a diminuição generalizada da fração das riquezas destinada aos trabalhadores, além da formação de profundos desequilíbrios internacionais. O resultado disso, aponta o autor, é a situação de impasse social permanente. Dessa forma, esse artigo nos ajuda a entender, por exemplo, as recentes mobilizações na França contra o desmantelamento da previdência pública levado a cabo pelo presidente conservador Nicolas Sarkozy.

Michael R. Krätke, por sua vez, discute o que chamou por “primeira crise econômica mundial”, usando para tal as análises políticas e econômicas de Karl Marx publicadas na imprensa, em especial no New York Tribune. Nesses artigos, Marx analisou a grande crise econômica de 1857-1858, procurando na análise dessa situação descortinar as leis que regulam as crises do mercado mundial. Ao mostrar a conjuntura como ponto de partida e de intervenção teórico-prática, Krätke revela a necessidade de pensar o presente, ao mesmo tempo em que desvela a impressionante atualidade do pensamento de Marx para compreender os dias atuais.

Marcello Musto mostra que a atualidade do pensamento de Marx deve estar intimamente conectada a uma recuperação não instrumental de sua obra. Os escritos de Marx, diz o autor do artigo, foram marcados por uma profunda e reiterada incompreensão, consequência das tentativas de sistematização mecânica de sua teoria crítica. Além disso, sofreram com o empobrecimento que acompanhou sua popularização e pela manipulação e censura de seus escritos ao longo do século XX. Agora, com a publicação integral e fiel aos originais da Marx-Engels-Gesamtausgabe (MEGA²), a incompletude dessa obra pode se destacar e, desobstruída pelas interpretações que anteriormente a deformaram, tornar-se, até mesmo, sua negação.

Eduardo Ferreira Chagas realiza o esforço de recuperar criticamente o pensamento de Marx para refletir sobre a determinação dupla do trabalho. Para o autor, é fundamental apreender a idéia de que trabalho abstrato (trabalho morto) e trabalho concreto (trabalho vivo) são dois momentos inseparáveis no processo de produção de mais-valia, de valor, no âmbito da sociedade do capitalista. A partir de uma investigação dos textos de Marx, o primeiro surge como condição da desumanização e da exploração do capital sobre o trabalho e o segundo, livre do jugo do capital, como atividade livre, útil, necessária à existência, independentemente de qualquer forma de sociabilidade humana.

A contribuição do marxismo do século XX é discutida por Gilmaisa Macedo da Costa, Raul Mordenti, Felipe Demier e Fábio José C. de Queiroz. No primeiro artigo, as reflexões do filósofo marxista Georg Lukacs são o ponto de partida para discutir as funções da consciência humana no processo de reprodução social. A autora ressalta a função inovadora da consciência na constituição do ser social a partir do trabalho, bem como sua decisiva atuação no complexo da reprodução social como depositária da continuidade dos processos sociais. Mordenti, por sua vez recorre a Antonio Gramsci para pensar sobre a construção da hegemonia enquanto ainda perdura o poder do adversário. O autor do artigo recoloca essa preocupação e as respostas de Gramsci para pensar o século XXI e enfrentar a dificuldade que a classe operária encontra para conduzir a termo sua hegemonia, em “uma época trágica, suspensa entre a necessidade de uma revolução e a impossibilidade de vê-la no horizonte”.

Felipe Demier parte do diálogo entre Antonio Gramsci e Leon Trotsky para reconstruir a presença da ideia de “autonomização relativa do Estado” em alguns dos destacados trabalhos científicos que se dedicaram ao chamado período “populista” da história do Brasil. A partir dessa dupla referência marxista, Demier apresenta o debate sobre “bonapartismo” e “cesarismo” em uma parcela da produção bibliográfica acadêmica que visou compreender as relações entre classes sociais e Estado no período da república brasileira localizado entre 1930 e 1964. Por último, Fábio José C. de Queiroz compara dois pensadores marxistas do século XX, Caio Prado Júnior e Florestan Fernandes, para examinar as concepções de “revolução” em ambos, com base em um diálogo com autores marxistas “clássicos”.

A sessão de resenhas da revista Outubro destaca nesta edição livros de autoria de assíduos colaboradores de nossa revista e membros de seu conselho editorial.

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